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A modelo e atriz Luciana Vendramini sabe bem o que é viver com TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo que, como o próprio nome diz, caracteriza-se pela presença de obsessões e compulsões. Hoje, totalmente recuperada, ela está de volta aos palcos e conta como superou esse distúrbio.
Os primeiros sintomas que a atriz apresentou foram justamente as manias tão características da doença. “Foi um tsunami na minha vida. Eu lembro exatamente a primeira vez que eu tive uma mania, uma coisa muito esquisita, eu não conseguia deitar enquanto não visse passar três táxis amarelos. Uma bobagem, mas você fica refém. E no outro dia, já vem outra e outra. É um comando mental que te deixa refém, te escraviza”, conta Luciana.
Segundo o psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Dr. Antonio Carlos Lopes, as compulsões de repetição e as manias de limpeza são muito comuns entre os pacientes com TOC, e a atriz Luciana Vendramini passou por muitas delas. “Por exemplo, ficar se lavando o tempo inteiro, ficar verificando várias vezes porta, janela, fogão. E a pessoa pode apresentar pensamentos relacionados a coisas agressivas, associados à sujeira, limpeza ou contaminação, entre outros”, explica o médico.
“A cartilha é bem parecida: eu tive várias manias como: lavar a mão, organizar a roupa, mania de limpeza, pensamentos inclusos, que são aqueles pensamentos ruins que te fazem ficar escrava daquela mania. Tinha que comer de tantas em tantas horas, tinha que atravessar a rua de tal maneira, enfim, vários tipos de compulsões”, completa Luciana.
Felizmente, pacientes com TOC podem se tratar com medicamentos e terapia. Em busca de respostas para o que tinha, a atriz resistiu a eles por bastante tempo, e chegou a um quadro difícil. “No meu caso, durante os 5 anos que sofri da doença, eu tive 3 anos de exílio, trancada em casa, pois não tomava remédio naquela época. Claro que foi um momento de teimosia e também por uma questão de buscar a lógica do problema, eu queria entender, mas não tem uma causa, não tem um porquê. Tem várias hipóteses, mas não tem uma coisa definida”, conta.
Depois de anos sofrendo com o problema, chegou às suas mãos um livro que mudaria a sua vida. A autora foi a médica que a trouxe de volta à vida. “Foi aí que começou o grande tratamento de equipe da psiquiatra juntamente com o psicólogo, e eles me ajudaram a superar tudo isso. Eu reagi muito bem no 4º remédio. Em 3 meses, eu já tinha respostas químicas excelentes. Em 1 ano, eu estava ótima, pronta para retomar tudo o que eu havia parado na vida”, comemora.
Segundo o Dr. Antônio Carlos Lopes, “o tratamento básico do TOC compreende tratamento psicoterápico e tratamento medicamentoso. Os remédios utilizados, muitas vezes, são os antidepressivos, principalmente, aqueles que têm serotonina em sua fórmula”, explica.
Um dos grandes problemas das vítimas de TOC é a vergonha da doença ou dos seus sintomas. “A pessoa que tem TOC sabe e entende o absurdo que são seus pensamentos e compulsões ou manias, e se retrai e se esconde por causa disso. O importante é a pessoa procurar ajuda, pois existe tratamento e, na maioria dos casos, é eficaz”, afirma o psiquiatra.
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